O Misantropo Enjaulado

O optimismo é uma preguiça do espírito. E. Herriot

Tuesday, December 05, 2006

Religiões do Livro

Há duas importantes questões susciadas pela vontade, manifestada pelo primeiro congressista eleito nos EUA pertencente ao Islamismo, jurar o cumprimento das novas funções sobre o Alcorão e não sobre a Bíblia, como todos os outros fazem. A primeira é ver como se acomodará um País cuja norma constitucional de não-discriminação religiosa tem origem na tentativa de evitar a marginalização das leituras bíblicas não intermediadas por Igrejas. Estarão prontos a prescindir de todo do Livro Santo no cerimonial? A outra consiste em averiguar até que ponto o novo representante levará a sério o argumento sempre esgrimido pelos que defendem a tolerância muçulmana, dizendo que o Islão honra e venera Jesus, Moisés e Outras Figuras dos Dois Testamentos, Todos eles tidos por profetas menores. Se assim, é não se justifica hostilidade a um compromisso tomado sobre o Escrito em que Eles são incorporados... Com a grande vantagem de ligar representados e parlamentar a um elemento de fé que dizem comum.
O que há é que erradicar juramentos "por sua honra" como por cá se faz, o que obriga muitos expoentes - embora não todos - da partidocracia a ajuramentar-se sobre o vácuo.

9 Comments:

  • At 1:12 PM, Blogger Miguel G Reis said…

    Ola Paulo

    Excelente postal!

    ''Estarão prontos a prescindir de todo do Livro Santo no cerimonial?''

    E prescindindo, perder-se-à talvez o simbolismo político (actual) da cerimónia, que me parece ser importante, por encerrar em si de forma simbólica a obrigação e aceitação dos deveres e direitos do cargo político por parte de quem é «anointed». A política vive de ritualizações, algumas delas incongruentes para o nosso tempo, mas que têm o seu sentido.

    ''Se assim, é não se justifica hostilidade a um compromisso tomado sobre o Escrito em que Eles são incorporados...''

    Concordo, mas para um muçulmano penso que seria como um juramento parcial, pois que não firmado naquilo que representa a sua crença fundamental. Assim, de certa forma, o muçulmano afirma a sua aceitação plena das regras do jogo político ao qual se propôs.

    Tudo questões muito interessantes!

    Abraço

     
  • At 6:40 PM, Anonymous Anonymous said…

    Querido Paulo
    E continuando o que diz o Miguel G Reis, mas como a bíblia seria só parcialmente sagrada, apesar da aceitação das regras do jogo político, não se sentiria completamente comprometido.
    O que não faz diferença nenhuma, já que ninguém se preocupa com aquilo que jura.
    Beijinho

     
  • At 6:57 PM, Anonymous Carlos Portugal said…

    Caríssimo: questões bem postas, parabéns. Mas tenho um reparo a fazer quanto a Moisés. Com efeito, «Moses» era um título real egípcio, que queria dizer «faraó» (este termo foi introduzido pelos hebreus e não pelos naturais da Terra de Khem, como era conhecido o Egipto). Era incorporado nos nomes dos reis e príncipes do Egipto, e assim temos Tutmoses, Ahmoses, e por aí fora. Assim, dizer que significa «retirado das águas» torna-se tão infantil, ou mais, do que o Pai Natal...

    Depois, há egiptólogos que afirmam que o Moisés bíblico seria um dos filhos do faraó Ramsés III, enquanto outros (incluindo, se não me engano, Christian Jacques) têm fortes suspeitas que fosse Amenhotep IV, o célebre Akhenaton.

    Quanto à história de embalar de que seria filho de uma escrava hebraica e que fora criado como príncipe egípcio, esta não faz qualquer sentido se atentarmos na morfologia étnica das castas reais dessas dinastias faraónicas e na dos hebreus. Tão distintas quanto as da raça branca e da raça amarela, por exemplo. Não daria para passarem uns pelos outros, de forma alguma.

    E se o Islão quer adorar um príncipe egípcio da 11ª dinastia, faça favor... Afinal, é um antepassado de muitos dos seus súbditos.

    Um grande Abraço.

     
  • At 1:03 AM, Blogger António Viriato said…

    Meu Caro Amigo Paulo,

    Mais um imbróglio em que os EUA se irão meter, se adoptarem mais essa modalidade multicultural.

    Já avançaram de sobra na desconjuntura do País, com a fanatasia dos afro-americanos, dos hispânicos, dos índios e outras variedades culturais em que se desfaz a coesão dessa grande nação, hoje muito confundida de ideais.

    Depois de mais essa trapalhada, que restará do outrora unanimemente almejado sonho americano, buscado décadas a fio por povos oriundos de todo o mundo ?

    Por vezes, parece que a Humanidade ensandeceu...

     
  • At 8:34 AM, Blogger Paulo Cunha Porto said…

    Meu Caro MGReis, Miguel:
    Que barba islâmica, hihihihi.
    Sem dúvida que a questão que levanta terá sido a primordial, de se tratar de um Livro Sagrado, mas não DO Livro Sagrado. Mas creio que não sendo para os maometanos contrários Um ao Outro, mas integrados, deveria ter havido algum respeito do eleito pela tradição e Historia política do Pa´s que servirá.

    Querida Marta, essa é que é a grande questão. O juramento está restringido à ocasião para cingir uma gravata melhorzinha.

    Obrigadíssimo pela eruditíssima achega. Não sei se "filho", na língua concernida não poderia significar também "adoptado", mas sendo o caso, ficaria eliminada alguma adstringência que Moisés pudesse provocar no Mundo Islâmico, apesar das imperfeições derivadas de ter vindo ao Mundo antes de Maomé...

    meu Caro António Viriato:
    Tem toda a razão no que diz e suspeito de que os "Founding Fathers" nunca terão equacionado a ideia de um Congressista islâmico nesse mundo de uma "liberdade religiosa" especial, feita sob medida para a elite WASP. O Catolicismo veio mudar as pedominâncias sociais, mas, nos últimos anos, também revorçar,no seio da Coligação Cristã, a reacção contra as investidas ateístas. Quando a boa vontade procura integrar credos sem um Princípio Comum, dispostos a tomar a ofnsiva, como no caso, é que a porca torce o rabo.
    Beijinho e abraços.

     
  • At 1:43 PM, Blogger Miguel G Reis said…

    Caro Paulo

    Tem razão, inclusive na aparente islamicidade da barba! Outros tempos, que agora já não uso, e sem que isto envolva qualquer questiúncula religiosa! hihihihi

    Abraço
    Miguel

    E no respeitante aos cogumelos, o que postou é definitivamente da categoria alucinogénica! :)

     
  • At 11:10 PM, Anonymous Anonymous said…

    Uma palavra simples: laicidade.

     
  • At 6:15 PM, Blogger Paulo Cunha Porto said…

    Meu Caro Miguel G Reis:
    Sorte teve o Meu Querido Amigo em não viver no Afeganistão talibânico, ainda O davam como criminoso...

    Mas, Caro Anónimo, o Alcorão reivindicado pelo Congresista, agora, passou a laico?

     
  • At 6:37 PM, Anonymous Anonymous said…

    Laicidade para resolver estas trapalhadas de Bíblia e Alcorão e Tora. Jure pela sua própria honra e deixe Deus nas alturas.

    A César o que é de César e a Deus o que é de Deus.

     

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