O Misantropo Enjaulado

O optimismo é uma preguiça do espírito. E. Herriot

Monday, December 04, 2006

Anos de Ingenuidade

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Neste 4 de Dezembro em que também se celebra o aniversário desse Amigo TSantos que já foi assíduo comentador desta jaula, lembra-se o aniversário de Francisco Franco e surge a notícia de ter sido dada a Extrema Unção a Augusto Pinochet. Importa fazer um brevíssimo confronto da forma como ambos morrem: o Primeiro ditando as regras da sucessão, o segundo em vias de ser perseguido pelos anos do seu consulado.
Ambos tinham consciência da transitoriedade do seu mandato ditatorial. O Caudilho, assumindo-se como Restaurador, terá respondido ao então Príncipe João Carlos, que lhe pedia conselho acerca da maneira de proceder, com um «Vossa Alteza terá de fazer tudo de forma completamente diferente». O General Chileno, permitindo que os seus compatriotas escolhessem, num referendo, outro regime, confiou, ao contrário do seu Ilustre predecessor Espanhol, em que os políticos vindouros respeitariam o acordado e constitucionalmente consagrado. Nada disso sucedeu: paulatinamente, foram revendo estatutos e retirando imunidades, fazendo tábua rasa dos compromissos assumidos. Franco, que conhecia os homens e a respectiva pequenez, só tinha permitido a transição após a sua morte. E tudo correu melhor. Um fado comum de dois generais tidos por legalistas, quando confrontados com os Sanjurjos e Guzmans que sobressaíam, mas que foram chamados à disciplina de países ameaçados pelo cortejo de violências dos vermelhos. Um soube gerir a sua velhice e morte. O outro não.
Estou à vontade para falar contra esta infame perseguição a Velhos destituídos do poder, pois, em devido tempo, pronunciei-me contra o julgamento de Honecker e, apesar de o regime ainda estar de pé, faria outro tanto se quisessem julgar Fidel. Uma coisa é eliminar os vencidos capazes de lutar, na força da vida, como Saddam. Outra é vingar-se em quem não pode reagir. O que é juntar a cobardia à traição à palavra dada.

11 Comments:

  • At 12:54 PM, Anonymous Anonymous said…

    Ontem, ouvi noticiar o degradado estado de saúde de Pinochet, na nossa televisão e, sempre que era referido, o seu nome vinha antecedido, invariavelmente, de "o ditador". No mesmo noticiário também houve referências a Fidel e a Hugo Chavez, sem que o termo fosse utilizado. Como se deve classificar isto?

     
  • At 1:23 PM, Anonymous Teresa said…

    paulo, neste ponto, discordamos. não tenho a mesma opinião, como já vimos em posts anteriores...também eles cometeram atitudes bárbaras com pessoas que não podiam reagir...não sou a favor das atitudes bárbaras, mas sim a favor de que justiça seja feita.

     
  • At 4:37 PM, Anonymous Anonymous said…

    Querido Paulo
    Sem o querer ofender não estamos de acordo, ou por outra, chegamos às mesmas conclusões por razões diferentes. Não gosto de ditadores, nunca, e não consigo ver-lhes o préstimo.
    Também acho que Franco foi muitíssimo inteligente.
    Tenho respeito pela velhice e acho que não vale a pena "bater em mortos".
    Beijinho

     
  • At 6:05 PM, Blogger a voz said…

    Subscrevo o Corajoso Texto.

    Cumprimentos.

     
  • At 8:42 PM, Blogger Paulo Cunha Porto said…

    Caro Anónimo:
    Dois pesos e duas medidas, já se sabe, é o pão nosso de cada dia. Devo dizer que os Ditadores, comissáriados durante uma vida, ou menos, como estes Dois, não me agradam, pelas razões inversas do que move a maioria das pessoas, que acham que eles devolveram o Poder aos partidos demasiado tarde, enquanto eu penso terem-no feito demasiado cedo, que seria, qualquer altura dessa restituição.

    Querida Teresa:
    As pessoas que foram maltratadas não o foram por plantar rosas no quintal, mas por apoiarem os regimes esquerdistas odiosos que os precederam. Ao contrário dos totalitarismos Comunista, Nacional-Socialsta e Demo-Liberal da Revolução Francesa,em que se perseguiu, independentemente da acção dos visados.

    Querida Marta:
    Como disse, penso que os Velhos devem ser deixados em paz, mesmo os que não me são simpáticos. E do que não gosto é de ver políticos não cumprirem os acordos e as leis a que se obrigaram, enquanto que esses "infames ditadores" observaram aquilo a que se comprometeram.
    Franco foi, de facto, muito inteligente, porque sabia que um militar que assim salva o País só pode largar o Mando na carreta, ou os adoráveis democratas não tardarão a mandá-lo para destino bastante pior.

    Meu Caro Mário Martins:
    A Sua concordância reforça a minha convicção de estar no caminho certo.
    Beijinhos e abraços.

     
  • At 11:52 PM, Anonymous Bic Laranja said…

    É admirável a percepção que o general Franco tinha. E no fundo é mero bom senso.
    Cumpts.

     
  • At 12:29 AM, Anonymous Eurico de Barros said…

    Os «crimes» do Pinochet são ter sido um patriota, evitado uma guerra civil sangrenta e a «cubanização» no seu país e ter derrotado os comunistas. Quem conhece minimamente o estado de pré-calamidade social, económica e política em que o Chile antes do golpe militar, só o pode aplaudir,

     
  • At 6:24 AM, Anonymous Luís Graça said…

    Ó Paulo:
    Já a propósito de Salazar e da Pide tinhas invocado a ideia de "plantar rosas no quintal". Começo a ficar intrigado.
    E quanto a isso de o Saddam estar na força da vida...
    É o que dá ver o Benfica a jogar...
    Ao menos eu vou ver a Maria Schneider na quarta-feira, sem dar confiança aos jogos do FC Porto e do Benfica.
    E também me baldo hoje ao Sporting. Prefiro um debate sobre imagem e TV na Almedina e a Tertúlia BD.

     
  • At 7:53 AM, Blogger Paulo Cunha Porto said…

    Caríssimo Bic Laranja:
    Sem dúvida, fortemente influído pela clarividência galega, sem dúvida.

    Meu Caro Eurico:
    Exactissiamente. O regime de Allende permitiu coisas absolutamente infames e ninguém fala disso.


    Meu Caro Luís:
    Para veres como para os totalitários, ao contrário destes dois estadistas, jardinagem e culpa andam confundidas...
    Tenho a M.S. à mão de semear, com a cassette do «ÚLTIMO TANGO...» por aí...
    Abraços aos Três.

     
  • At 6:45 PM, Anonymous Anonymous said…

    Pinochet foi produto de uma época em que a urgia combater o perigo comunista que assolava a América Latina. Porque será que existe esta "demonização" dos líderes nacionalistas??? Se fosse ver melho seria mais desculpável?

     
  • At 8:37 AM, Blogger Paulo Cunha Porto said…

    Meu Caro Capitão-Mor:
    É ainda uma sequela do prestígio mítico que a "Revolução" alcançou, na nossa Época, sendo tudo o que corre al encarado como uma degenerescência dos "princípios", enquanto ao adversário se imputa uma realidade menos horrenda como uma confirmação dos que ele professa.
    Abraço.

     

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