O Misantropo Enjaulado

O optimismo é uma preguiça do espírito. E. Herriot

Friday, November 17, 2006

Entre, Vista

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Lá vi a entrevista que prometia ser grande, feita por Judite de Sousa a Santana Lopes, a pretexto do livro de memórias lançado. Mais do que o dorido passado, a que não trouxe novidades de maior, interessou-me a visão que o ex-Primeiro Ministro tem do próprio futuro. E aqui parece-me claro que vestiu, a tantos anos de distância, a pele do candidato presidencial, ao disponibilizar-se para, em devido tempo, correr contra Marcelo. Sabendo-se para que meta este se vai movendo, está traçado o caminho. Como, confirmação adicional, ao declarar eventualmente provisória a sua reconciliação com Durão Baroso, acorreu a prever o confronto com o outro rival de tomo que é dado como presidenciável pela Direita, após os onze anos cavaquistas da ordem. Por muita razão que tenha, mormente ao lastimar a desconsideração ditada pelo interesse, de não ter sido convidado a recandidatar-se à Câmara, este afã em posicionar-se para uma eleição tão distante pode ser o seu último tiro no pé. Porque as pessoas que ainda o levam a sério talvez se interroguem sobre como é que alguém tão magoado com a política pode estar tão ansioso para a ela voltar. E sabe-se que quem queira ter amigos melhor será que não enverede pelos caminhos da luta pelo Poder. O antigo presidente Truman, dos EUA, já dizia que «quem pretendesse encontrar um amigo em Washington, que comprasse um cão».
Sendo dez anos tanto tempo, para se manter vivo e aparecer nas televisões que o afundaram, só vejo uma hipótese: desafiar Cavaco, sem esperança, na reeleição. O que não constituiria novidade, pois foi a perder congressos para a liderança que chegou, fugazmente, ao topo.

12 Comments:

  • At 12:57 PM, Anonymous Anonymous said…

    Mas pelo menos não tem papas na língua.
    abraço

     
  • At 1:09 PM, Anonymous Anonymous said…

    De acordo com a análise, apenas uma observação lateral: a extrema animosidade da entrevistadora ao invés da amabilidade com que "contracena" com A.Vitorino.

     
  • At 2:24 PM, Anonymous Anonymous said…

    Querido Paulo
    Ontem foi dia do jantar das quintas e nem pensar em gravar a entrevista porque indesgestão é coisa que ainda nunca tive.
    Beijinho

     
  • At 6:04 PM, Anonymous Anonymous said…

    Paulo,

    Nao vi a entrevista porque no lugar onde vegeto, ela sintoniza mal. Mas, se quando era atleta, tambeem me passvam no Apolo Setenta, ao nivel da cintura, os sorrizinhos da minha conterranea, nao me admira que ela seja brava para PSL e derretida para AV. Quanto a este uultimo, o nivel de ambos ee muito baixo e devem-se ver em jogatanas de cetim e poder, como dois leitoes de Orwell. PSL, nesse aspecto, deve fazer ver que nao tem tempo a perder com sopeiras.

    Agora nao acredito em PSL. Era muito faacil fazer filhos a quem os queria e, depois, assumir a responsabilidade do anterior quando naao tinha que os pagar. Embora isso seja com a conscieencia de cada um, o cuumulo do dislate era poor PSL a botar faladura no referendo. Nao basta parecer, ee preciso ser.Nao basta a garra de Peron, ee preciso o coraccao de Evita.

    Andre

     
  • At 7:11 PM, Blogger Paulo Cunha Porto said…

    Não, Caro Simão, porém começa a adoptar uns sofridos «Não, fulano desempenha funções de muita responsabilidade, não irei dizer mal dele aqui»...

    Ah, mas, Caro Anónimo, na RTP1 adoptaram a parcialidade absoluta de levar nas palminhas os comentadores residentes, sendo, em contrapartida, feras para os entrevistados que (já) não pertencem à casa!

    Querida MFBA:
    Huuuum, não será o caso da Minha prezadíssima Amiga, mas tenho impressão de que na vida política portuguesa não haverá exemplo de alguém que tantos se gabem de ter comido, sem sobressaltos de maior...

    Meu Caro André:
    Céus, que virulência contra um nome bíblico!
    Não me parece que haja riscos, na fase em que se está toda a gente que se imagina com responsabilidade(s) foge a sete pés do pobre do Homem.
    Beijinho e abraços.

     
  • At 9:24 PM, Anonymous Anonymous said…

    Paulo,

    Deve ser por falta de acreditar que o PSL fica no deserto. No meu bairro mora a Cinha, que por sinal, nunca vi e assegurou-me a Dona L. (que vive lá desde pequenina) ter-lhe a Cinha confessado que o "Homem da Vida dela" fôra o PSL. Mas já me disseram uma vez a mesma coisa, por vias travessas e eu acho que, quando as pessoas se podem ainda ver e, ao menos, trocar umas palavras adultas e corajosas, este tipo de confissão, não passa de uma figura retórica qualquer...

    André

     
  • At 11:43 AM, Blogger Paulo Cunha Porto said…

    Meu Caro André.
    Pois é possível, vá-se lá avaliar a esfera pessoal de cuja riqueza só conhecemos os sinais exteriores...
    Abraço.

     
  • At 7:08 PM, Blogger maria said…

    Paulo, primeiro devo-lhe uma enorme desculpa, pois este comentário foi-lhe prometido há dias e já deveria ter seguido. Tudo o que prometo cumpro, salvo em casos de impossibilidade absoluta.
    Era para o ter começado nesse dia, assim: Paulo, não seja máuzinho para com o Pedro.
    Mas, reconsiderando, não vale mesmo a pena, o Paulo terá de facto alguma razão no que afirma. Não vi a entrevista, excepto alguns excertos posteriores em noticiários, mas não foi preciso para saber o que ele terá dito nela, porque calculo. Assim como não será necessário eu ler o seu livro, porque igualmente imagino o que estará lá escrito. O Pedro é um homem intrìnsecamente bom e estes já vão sendo cada vez mais raros em Portugal. E nos tempos que atravessamos, realmente a bondade na política não serve para coisa alguma. Há 2 ou 3 anos, ter-me-ia batido com 'unhas e dentes' pela sua imagem política e pela pessoa boa que sei que Pedro é. Hoje desisti disso, é inútil e uma perda de tempo. Ele pertence inteirinho ao sistema no qual nasceu e se formou e do qual não quer (ou não pode) afastar-se e o sistema é aquilo que é e não muda: uma desgraça, como diria o Paulo (palavra que costuma usar quando está perante algo irremediável e à qual acho imensa graça).
    Há uns anos um determinado escritor de apelido Gil, mais um apaparicado pelo sistema, moçambicano d'origem como sabemos, afirmou num programa de televisão, em directo, uma coisa extraordinária, assombrosa (se não a tivesse ouvido e ma tivessem transmitido eu não acreditaria) em relação ao Pedro, por puro despeito, inveja e para rebaixá-lo (inconscientemente elogiando-o) porque, claro, este como todos os outros escribas da nossa praça, é pago e bem pago para proferir, sempre que necessário, atoardas deste jaez òbviamente - aquando da pré-nomeação de Pedro para o cargo de P.M. - e que foi textualmente isto: O P.S.L. é perigoso, tem uma personalidade cativante (!), é simpático, encantador e tem UMA VOZ PROFUNDA(!) QUE PERTURBA(!) e ATRAI(!) o ELEITORADO e isso É MUITO PRIGOSO!!! Tudo dito na televisão em directo, repito!
    Depois disto pouco há a acrescentar. O mêdo que nessa altura (desde sempre e ainda hoje) o sistema - ainda que a ele pertença - tem da personalidade e imprevisibilidade deste homem bom, polìticamente um pouco instável e com flutuações de humor perigosas para o sistema, mas que o elitorado adora, é aterrador. Mas, evidentemente, o Pedro foi (infelizmente) por ele absorvido e pouco ou nada poderá fazer contra semelhante força centrípeta, salvo e se ainda o puder fazer, desligar-se dele completamente, o que não lhe interessará por variadíssimas razões. E, caso o fizesse o que seria dele depois, como político, pràticamente sózinho? Ele próprio, politicamente ambicioso como é e cheio de carisma a que o eleitorado não é alheio - aquilo que falta a todos os outros labregos que têm andado a fingir que nos governam há 3 décadas e continuam... - e com alguma capacidade (apesar de tudo e muito embora não sendo esta excepcional é, não obstante, milhentas vezes superior à da maioria da politicagem que o rodeia) não se vê a fazer mais nada senão política, como ele já deu a entender.
    O 'defeito' do Pedro é ser um político e um homem bom demais, o que significa que tem uma personalidade algo influenciável e, como todas as pessoas boas, manobrável pelas sanguessugas à sua volta, o que não lhe permite ter espaço físico e força suficiente para se afastar do polvo e da sua força centrípeta, porque este quando lança os tentáculos raramente deixa escapar quem por eles é sugado, até por persuasão - além de variadíssimas chantagens subrepetícias - e pelo permanente alimentar das vaidades exacerbadas que estão ìntimamente ligadas a todos os que têm ambições políticas e o Pedro não poderia ser a excepção.
    Posto isto e concluíndo, o P.S.L. não terá grande futuro político, salvo aquele que o sistema e só este, lhe reservar. E é pena este destino estar reservado a um político e homem bom de quem o Povo gosta. Sinceramente
    é muita pena. E nós, portugueses, que estamos tão precisados deles..., diria mais, extrêmamente precisados.

    Cumprimentos Paulo e mais uma vez as minhas sinceras desculpas pelo atrazo neste comentário.

    Mria.

     
  • At 7:13 PM, Blogger maria said…

    Paulo, desculpe o meu nome ter ficado mal ortografado, mas deduziu certamente que o comentário era meu.

    Maria.

     
  • At 12:05 PM, Blogger maria said…

    "... excepto alguns excertos em noticiários posteriores" e não como saiu, como é bom de ver.

    *********

    Paulo, esqueci-me de acrescentar no comentário anterior que o outro enorme 'defeito'de P.S.L. para além de ser um homem bom, é ser demasiadamente bem educado comparativamente à - ia chamar-lhes fauna, mas concedo - politicagem que campeia no nosso País e estas qualidades estão há muito em desuso, como sabemos. O que paga mesmo em Portugal, no que à política se refere, é ser-se ordinário, hipócrita, cínico, corrupto, traidor e, caso a oportunidade surja, criminoso - mas, atenção, neste particular sempre por interposta pessoa para que o cadastro continue 'limpinho' - e teremos o pleno do bom político português.

    **********

    Paulo, o que lhe aconteceu, adoeceu?

    Maria.

     
  • At 9:48 PM, Blogger Paulo Cunha Porto said…

    Querida Maria:
    Mil perdões por não Lhe ter respondido logo, mas, por vezes, quando passam alguns dias, distraio-me. Devo dizer que sempre tive simpatia pessoal por PSL e até alguma política quando andou pela oposição no próprio partido. Mas na governação não provou, com pouco cuidado na escolha do gabinete, sobretudo naqueles que o traíram. E mostrou duas incapacidades - a de compreender que Cavaco estava ressentido com a sua demarcação, prestando-se à bofetada com a história das fotografias; e a de desconfiar das televisões, pensando que o meio que o elevara lhe seria sempre fiel. Foi esta incompreensão que censurei, vendo-o enveredar pela vitimização da coligação d interesses, cuja coincidência me parece que deveria ter previsto.
    Quanto ao Futuro, não sei: os portugueses creio que não o quereriam voltar a ver no Governo. Mas em Belém,não sei. E é para aí que ele está a apontar.
    Beijinhos.

     
  • At 3:41 AM, Anonymous Anonymous said…

    O Paulo 'vê-o' futuramente em Belém e eu vejo-o em todo o lado menos em Belém. Acho que o Pedro não tem personalidade para aquele cargo, sinceramente. Se bem que ele seja melhor pessoa e porvenura, apesar de todos os seus defeitos, melhor político do que todos os outros por quem tem estado rodeado. Mas também não é difícil, convenhamos.

    Cumprimentos Paulo,
    Maria.

     

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