O Misantropo Enjaulado

O optimismo é uma preguiça do espírito. E. Herriot

Thursday, November 16, 2006

Acima das Divisões

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São mais do que conhecidos os casos de alguns Republicanos Históricos de valia intelectual, com Hernani Cidade e Armando Cortesão à cabeça, que ultrapassaram a animosidade contra o Estado Novo para se juntarem ao Governo do seu e nosso País na defesa da integralidade territorial portuguesa, ameaçada na presença ultramarina pelos Senhores do Mundo de então. Menos célebre, mas muito, muito injustamente, é este folheto lançado por outro desafecto à Situação, o Monárquico Liberal Thomaz Ribeiro Colaço, que ataca um jornal brasileiro de simpatias vermelhas e alinhamentos africanos a condizer, através de uma atractiva série de tiradas sobre étimos e humorísticas em que, nomeadamente, recusa o nome de Soviético em vez do de russo ao poder de Moscovo, por incompatibilidade de critério na designação dos regimes por uns e das origens nacionais por outros, o que obrigaria a falar em «Poder Monárquico» e «Poder Conservador» a respeito de Reino Unido e EUA.. Prossegue, explicando a diferença de êxito do Comunismo nas nações latinas e anglo-saxónicas, por numas remeter para a cripto inveja de querer ter em comum o que só doutro é e nas outras ser sinónimo de vulgaridade.
Em tom mais sério, mas com a seriedade de fundo de sempre, explica a diferença essencial da repartição multicontinental da Pátria Portuguesa, face às colonizações europeias, numa brilhante distinção entre Direito Histórico e o Direito Diplomático resultante das conferências colonialistas de Oitocentos e dos alvores do Século XX, ilustrado com a manutenção de Ceuta como Espanha.
E inclui uma citação do discurso do Príncipe Cabinda Felipe Barroso Jack, levado em ombros pelas Suas Gentes após a respectiva produção, no dia 5 de Novembro de 1960, que não hesito em transcrever:
«em nome dos regedores e dos chefes gentílicos e descendentes das antigas famílias que assinaram com Portugal os tratados de Chinfuma e Simulambuco.
Como representantes das velhas e nobres famílias do antigo reino do Nogo, sentimos a obrigação de protestar contra as mentiras ditas sôbre esta terra. Somos portuguêses porque os nossos antepassados há séculos escolheram Portugal.
Tenho um neto a prestar serviço militar em Nova Lisboa. Daqui lhe ordeno e a todos os naturais de Cabinda que ponham suas vidas inteiramente prontas a defender Portugal
».
Como outras vezes, houve melhores portugueses lá do que alguns de cá. Mas foram estes que tomaram o poder.

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11 Comments:

  • At 12:26 PM, Blogger JSM said…

    Excelente lembrança dos princípes de Cabinda e do seu arreigado amor a Portugal. Sem pudor, republicanos recentes, rasgaram tratados, injuriaram antepassados.
    A velha monarquia portuguesa era um espaço de encontro, de relação, sem apagar diferenças, de humanidade e de vida. Foi estúpidamente estigmatizada pela propaganda republicana, ao serviço das potências, com prejuízo geral, com estragos imensos, difíceis de reparar. Para quê tudo isso? Se ninguém ganhou, se perdemos todos!
    Um abraço.

     
  • At 12:36 PM, Blogger Paulo Cunha Porto said…

    Meu Caro JSM:
    Era uma Etnia fantástica, nos Seus valores tradicionais e no afecto ao Mundo Lusíada. Ainda vou, um dia destes, dar aqui conta de um escrito de Mário Saraiva que vai ao encontro do espírito deste texto.
    Grande abraço.

     
  • At 4:15 PM, Anonymous Carlos Portugal said…

    «Como outras vezes, houve melhores portugueses lá do que alguns de cá. Mas foram estes que tomaram o poder.»

    Infelizmente, meu Caro Amigo...

    Abraço.

     
  • At 8:29 PM, Blogger Capitão-Mor said…

    Como sabe esta é uma temática que é muito do meu agrado. Desconhecia este documento. Parabéns pela sua merecida divulgação.
    Abraços ultramarinos!

     
  • At 8:52 PM, Blogger Paulo Cunha Porto said…

    Meu Caro Carlos Portugal:
    Estamos a pagar isso mesmo. Mas claro que a factura maior foi suportada, entre outros, por estes mesmos Cabindas, ainda com fumos de guerra no seu território, vendo as riquezas exploradas por um país a que não consideram pertencer.

    Meu Caro Capitão-Mor:
    E no entanto, tratando-se de edição brasileira, talvez tenha mais facilidade em encontrá-lo nalgum "sebo" daí. Todo o folheto merece leitura.
    Abraços a Ambos.

     
  • At 8:58 PM, Blogger EURO-ULTRAMARINO said…

    Meu Caro Paulo,

    Grande lembrança! Comovente testemunho de devoção à Nação pluricontinental. Há muio que venho sustentando que melhor teria sido ficar sem Metrópole, pois no Ultramar é onde estavam aqueles que mereciam ser portugueses.

    Um forte abraço.

     
  • At 9:35 PM, Blogger Paulo Cunha Porto said…

    Estes eram dos Tais, sem dúvida, Meu Caro Euro-Ultramarino.
    Outro, dos que vencem o Atlântico.

     
  • At 12:18 PM, Blogger miazuria said…

    Caríssimo: como sabe aqui não estamos de acordo,bem dignas e honrosas as intenções do chefe tradicional.
    O problema é que a nacionalidade não resulta de nenhum convénio ou tratado, antes radica na terra e no sangue...
    Ora,Cabinda não era Portugal, era Cabinda e o chefe tradicional não era Português era cabinda.
    Os seus antepassados não estavam enterrados em terras Lusitanas, parafraseando Maurice Barrés.

    Abraço

     
  • At 7:16 PM, Blogger Paulo Cunha Porto said…

    Caríssimo Miazuria:
    Mesmo no universo barresiano a que não pertenço se encontra a vertente do sangue não só no herdado originariamente, como no derramado em defesa do Solo Pátrio. E nesse aspecto os Cabindas levam a palma a muuitos.
    Abraço.

     
  • At 8:40 PM, Anonymous Anonymous said…

    Cabinda é Portugal. Timor é Portugal. O que cada vez é menos Portugal é este rectângulo, porque caiu nas mãos dos mais renegados dos portugueses (com minúscula).

    (Mera Culpa)

     
  • At 9:18 PM, Blogger Paulo Cunha Porto said…

    Falou e disse.
    Mera Culpa no comentário, o pior dos dolos na traição dos tais.

     

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