O Misantropo Enjaulado

O optimismo é uma preguiça do espírito. E. Herriot

Thursday, November 16, 2006

O Reencontro

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Aniversário da morte de Charles Maurras. Esse que em tempos fora agnóstico mas nunca dissera as falsidades que o Cardeal Andrieu lhe atribuíra, como a de «Deus estar proibido de entrar nos nossos raciocínios» encontrava finalmente a Divindade. A Fé já havia reecuperado. A defesa da Igreja fora de sempre e a tentativa de se aproximar pessoalmente de Deus uma aspiração antiga, conforme revelava a sua admiração por Santa Teresa, ao ponto de mandar gravar o monograma Dela no punho do seu espadim de académico. S. Pio X disse que ainda que alguns pontos da sua doutrina pudessem ser condenáveis, nunca seria de condenar, pois prezava-o ao ponto de lhe chamar «esse grande defensor da Fé». E passada a última fase da vida, de onde a fotografia provém, com o sacrifício da prisão e das humilhações aumentando-lhe a sensibilidade, é caso para lembrar a sua célebre surdez no único uso legítimo dela, porque empreendido pelo próprio ao expirar: «Pela primeira vez oiço Alguém aproximar-Se».
A oração final que escreveu:

Seigneur, endormez-moi dans votre paix certaine

Entre les bras de l’Espérance et de l’Amour.

Ce vieux cœur de soldat n’a point connu la haine

Et pour vos seuls vrais biens a battu sans retour.



Le combat qu’il soutint fut pour une Patrie,

Pour un Roi, les plus beaux qu’on ait vus sous le ciel,

La France des Bourbons, de Mesdames Marie,

Jeanne d’Arc et Thérèse et Monsieur Saint-Michel.



Notre Paris jamais ne rompit avec Rome.

Rome d’Athènes en fleur a récolté le fruit,

Beauté, raison, vertu, tous les honneurs de l’homme,

Les visages divins qui sortent de ma nuit :



Car, Seigneur, je ne sais qui vous êtes. J’ignore

Quel est cet artisan du vivre et du mourir,

Au cœur appelé mien quelles ondes sonores

Ont dit ou contredit son éternel désir.



Et je ne comprends rien à l’être de mon être,

Tant de Dieux ennemis se le sont disputé !

Mes os vont soulever la dalle des ancêtres,

Je cherche en y tombant la même vérité.



Écoutez ce besoin de comprendre pour croire !

Est-il un sens aux mots que je profère ? Est-il,

Outre leur labyrinthe, une porte de gloire ?

Ariane me manque et je n’ai pas son fil.



Comment croire, Seigneur, pour une âme qui traîne

Son obscur appétit des lumières du jour ?

Seigneur, endormez-la dans votre paix certaine

Entre les bras de l’Espérance et de l’Amour.

12 Comments:

  • At 11:28 AM, Anonymous Anonymous said…

    Paulo,

    Bonito poema. Tenho a tentação de dizer que é um poema agnóstico mas a beleza e sinceridade que tem salva-me desta estúpida tentação. Mas bendita seja a obscuridade que este cidadão da cidade-luz não conseguiu criar.

    André

     
  • At 11:43 AM, Blogger Paulo Cunha Porto said…

    Meu Caro André:
    Penso que era um poema da transição do agnosticismo para a Fé. Ainda há o sublinhar da necessidade de compreender, o que com outros pressupostos já se encontra em São Tomás, e a confissão da Ignorância da Divindade, o que é resquício da posição maurrasiana anterior. Mas já está presente o pedido da Graça e a justificação de fidelidade que levam à Verdade.
    Abraço.

     
  • At 1:30 PM, Blogger maria said…

    Poema de uma beleza absoluta.
    Parabéns Paulo por tê-lo transcrito.
    Logo, se não, amanhã, penso dizer-lhe qualquer coisa sobre o que eu penso de Pedro S. L., relativamente ao que escreveu sobre ele.
    E cumprimentos Paulo.
    Maria.

     
  • At 3:34 PM, Blogger a voz said…

    Neste dia e nesta data, deixo aqui uma Palavra a Este Ilustre Maurassiano.

    Cumprimentos.

     
  • At 3:38 PM, Anonymous Anonymous said…

    Olá Paulo
    Lindo o poema. Diria esta oração.
    Beijinho

     
  • At 4:09 PM, Blogger pedro guedes said…

    Bravo!

     
  • At 8:49 PM, Blogger EURO-ULTRAMARINO said…

    Meu Caro Paulo,

    Quem além do "Misantropo" para recordar com tanta elegância o Mestre Maurras?

    Mes compliments!

     
  • At 9:02 PM, Blogger Paulo Cunha Porto said…

    Querida Maria:
    Para além de toda a carga de emotividade e busca do Verdadeiro que o poema tem, adensadas pelos padecimentos desse Extraordinário Autor, que todos conhecemos, teve ainda a miraculosa virtude de A trazer de volta aos comentários no misantropo, sem ser por uma Amabilidade festiva. Sinto-me realizado!

    Meu Caro Mário Martins:
    De um maurrasiano para Outro, um grande abraço neste dia triste mas que evidencia o Gigantesco Vulto do grande Doutrinador.

    Querida MFBA:
    E que grande alegria seria para mim vê-La voltar à Religião em que nasceu, à semelhança de C. M.!

    Meu Caro Pedro:
    A tua generosa aprovação serve perfeitamente para exprimirmos os nossos sentimentos perante o Mestre.

    Meu Caro Euro-Ultramarino:
    "Merci beaucoup"! Mas lembro um Bainvilleano Emérito que anda pelas Terras dos Pampas...
    Beijinhos e abraços.

     
  • At 12:19 AM, Anonymous Eurico de Barros said…

    Continuo na minha: o beatério é que perde a direita, ou pelo menos parte muita significativa dela. Sacudam o jugo da superstição e do irracional, mandem a padralhada dar uma curva e irão muito mais longe.

     
  • At 9:18 AM, Blogger Paulo Cunha Porto said…

    Meu Caro Eurico:
    Confundir o Catolicismo com o irracional é coisa que já não cola. E a beatice é apenas uma das muitas formas que há de ser católico. É a primeira vez que me confundem com ela, mas há primeira vez para quase tudo.
    Abraço.

     
  • At 1:09 AM, Anonymous Anonymous said…

    Belo! E já pecava por atraso no louvor...

     
  • At 11:46 AM, Blogger Paulo Cunha Porto said…

    Meu Caro Je Maintiendrai:
    É sempre tempo o de saber da Sua aprovação. E, sim, o poema é belissimo.
    Abraço.

     

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