O Misantropo Enjaulado

O optimismo é uma preguiça do espírito. E. Herriot

Sunday, December 03, 2006

A Honra e O Dia

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A 3 de Dezembro nasceu Objecto Maior da minha admiração, esse Conrad que justificava na escrita a humorística linha de Shaw, segundo a qual «um inglês tão perfeito só poderia vir de um estrangeiro». Sempre recusou descer aos abismos psicanalíticos, por encontrar na superfície humana material mais do que abundante para as suas ficções. E com o contrário da superficialidade, acrescento eu. Muitos acham extraordinário que este fabuloso pintor das lutas do Indivíduo desse a prioridade, fora nos livros ao sentimento comunitário, justificando-o com o nacionalismo polaco herdado. É a mesma miopia que assalta os que continuam a rotulá-lo como «Pintor do Mar». Os grandes conflitos que trata são os da vida do Homem em todo o lado, no que toca à ligação ao Conceito e à Esperança que dele e nele fazem e aplicam os outros com quem se conexiona. A Honra e as oportunidades perdidas de provar a coragem que a faz em «LORD JIM», a obsessão de forçar a aceitação do seu sangue de Almayer, ou, no meu preferido «O RESGATE», as barreiras flagelantes da culpa sentida perante a frustração da confiança depositada. Também as magníficas evocações da desilusão e do balanço cinzento de momentos biográficos diversos, em «JUVENTUDE» e «LINHA DE SOMBRA», como a capitulação perante a ignomínia a que um deslocado pode descer, contra todos os sentimentos em que se formara, tal «O CORAÇÃO DAS TREVAS», conseguem o milagre de, com o pessimismo maior, sem propaganda da inacção, que conheço, se negar pela qualidade única de uma prosa que fornece assim mais do que muitas razões para prosseguir.

7 Comments:

  • At 2:17 PM, Anonymous Teresa said…

    querido paulo,
    sou uma inculta ao pé de si e de muitas outras pessoas, mas tenho a humildade de acatar as referências e meter-me ao caminho.
    AH! a leitura do livro do Pedro Santana Flopes, é um flop! não estou com "saco" para o ler. há 15 dias que vou na página 15...(vai ser um livro para ir lendo, não para ler)

     
  • At 2:31 PM, Blogger Paulo Cunha Porto said…

    Querida Teresa:
    Depois de registar a regressão que é voltar a ser tratado na terceira pessoa, tenho de reconhecer que uma página por dia não abona muito em favor da redacção, realmente.
    É substituir pelo Conrad, que, aí, os dias não chegarão para verter para dentro de nós A Escrita...
    Beijinho.

     
  • At 3:48 PM, Anonymous Anonymous said…

    "Coração das Trevas" é simplesmente obrigatório. Qualuqer coincidência com a crueldade do Congo Belga é pura coincidência!

     
  • At 6:04 PM, Blogger O Jansenista said…

    Consoror Teresa, essa de invocar o Santana Lopes a propósito de «Coração das Trevas» é maliciosa...

     
  • At 6:56 PM, Blogger Paulo Cunha Porto said…

    É fabuloso, Caro Capitão-Mor. E transplantado do canibalismo para um paroxismoassassino do Vietname deu filme não menos bom, uma obra que, quanto a mim, partindo de propósitos pacifistas, pode bem ter o efeito contrário, como aconteceu com o "opus magnum" de Remarque, o qual,pretendendo ser um libelo contra a guerra, acabou por atrair para ela uma geração inteira, seduzida pela camaradagem da Frente.

    Meu Caro Jansenista:
    Quem seria Kurz, no caso, hihihihihi?
    Abraços a Ambos.

     
  • At 8:11 PM, Anonymous Teresa said…

    querido paulo,
    o defeito é meu, eu sei, mas começando a tratar uma pessoa na 3ª pessoa, é difícil para mim mudar. vou tentar e espero a compreensão para eventuais futuros deslizes.

    querido jancenista, não foi com qualquer intenção. como referi, não conheço as obras.

     
  • At 8:56 PM, Blogger Paulo Cunha Porto said…

    Teresita:
    Bom! Snto-me tão bem tratado por Tu, como na 3ª pessoa; mas uma vez verificada a elevação da proximidade, fico furioso quando verifico marcha-atrás...
    Beijinho.

     

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