O Misantropo Enjaulado

O optimismo é uma preguiça do espírito. E. Herriot

Saturday, December 30, 2006

Dignidades

O que acabou acabado está. Já aqui exprimi tudo o que pensava de Saddam, que amplamente mereceu o seu destino. Da encenação judiciária, a qual merece igualmente o seu, o ridículo. Da forma de execução, que sempre disse não dever ter ocorrido como ocorreu, sob pena de o próprio futuro do País unificado ser posto, definitivamente, de lado, no imaginário colectivo em que se tentavam equilibrar comunidade interconfessional e crime. Não sou homem de celebrar mortes. Deixo isso para os primitivos que andam a disparar espingardas automáticas como celebração, esperando que as munições assim gastas correspondam a vidas inocentes poupadas, que outro uso das balas poderia destruir.
Quero apenas dizer uma coisa: se é certo que sempre fui avesso às execuções como espectáculo, a privatização desta, somada à pressa com que foi levada a cabo, foi coisa muito menos digna do que a recusa do capuz do enforcado, o equivalente à venda, neste processo. Lamento que tenha sido o lado com mais razão, apesar dos meios, a portar-se pior.

6 Comments:

  • At 1:03 PM, Anonymous Anonymous said…

    Querido Paulo
    Sou absolutamente contra a pena de morte!
    Esta morte, e tudo o que a envolveu, deixa-nos um sabor muito amargo sobre a democracia.
    É pena!
    Beijinho

     
  • At 1:44 PM, Blogger Paulo Cunha Porto said…

    Bom , Querida Marta, cmo não sou democrata, estou fora disso, embora nunca ninguém tenha morto pseudo-judicialmente tanto como os democratas da Revolução Francesa. Como sabe, defendo a pena de morte para os crimes de homicídio qualificado, os mais horrendos, critério pelo qual julgo que ninguém deixará de considerar o executado cheio de culpas que a justificassem. Mas também reconheço com facilidade que seria impossível no Iraque fazer-lhe um julgamento limpo. E que os que lá estão nem sequer tentaram.
    Beijinho.

     
  • At 4:00 PM, Anonymous Anonymous said…

    Esperava-se que a Democracia se tivesse desenvolvido desde a Revolução Francesa!

     
  • At 4:10 PM, Blogger Paulo Cunha Porto said…

    Isso, Querida Marta, seria o mesmo que dizer que o Nacional-Socialismo, ou o Comunismo se teriam tornado aceitáveis, após a moderação saída do período posterior, real ou eventual, à morte de Hitler e Estaline. O que nasce torto e com base em partidos, sem outro referencial de legitimidade, não tem cura. E mais, a simples aceitação da herança desses regimes, se não é cumplicidade com os crimes deles, é pelo menos receptação dos proventos da acção criminosa.
    Beijinho

     
  • At 6:53 PM, Anonymous Anonymous said…

    È por estas e por outras que eu me orgulho da minha civilização ocidental. Foi extremamente deprimente!
    Sou completamente contra a pena de morte e se é sofrimento que se pretende infringir aos criminosos, creio que a prisão perpétua é bastante mais dolorosa.

     
  • At 7:45 PM, Blogger Paulo Cunha Porto said…

    Meu Caro Capitão-Mor:
    Como tenho reafirmado sou favorável à pena de morte para os homicídios mais repugnantes por considerar que se trata de uma capitulação intelectual e moral uma comunidade não ter força para dizer que não é digno de figurar na Espécie alguém que, POR ESCOLHA, mostrou um comportamento tão desumano que deixou de ser digno de nela figurar.
    Outra coisa é a burla dos julgamentos políticos. E neste, particularmente, da pressa envergomhada de executar a sentença, e assumir a hora e local da execução, como seria normal numa Justiça de consciência limpa. Mesmo que a desculpa oficial de evitar tumultos seja verdadeira, demonstra-se à saciedade a fragilidade do sistema.
    Abraço.

     

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