O Misantropo Enjaulado

O optimismo é uma preguiça do espírito. E. Herriot

Wednesday, November 29, 2006

Os Irresponsáveis

Nem abordaria o tema, se não fosse o facto de uma Voz que merece atenção, a de Vasco Graça Moura, com ironia e urgência, a propósito de um tema completamente diverso fazer uma cisão entre culpa e responsabilidade. É que, evidentemente, a culpa é uma forma mais grave desta. E tudo porque um indivíduo que os portugueses associam ao pior dos muitos males do regime veio ontem dizer-se vítima de acusações injustas quanto à participação na descolonização, aceitando a responsabilidade, mas rejeitando culpas. No «PÚBLICO» o Dr. Almeida Santos, tido por muitos como símbolo de oportunismo, quando não de outros negócios, veio chorar e repetir o estribilho das culpas de Salazar e Caetano em terem lutado, um mais do que o outro, para manter o Ultramar Português. É a conversa de uma das piores gentes que conheço: a que finge crer em inevitabilidades históricas para justificar ter-se posto de joelhos diante dos poderosos do momento, considerando um crime que Gente mais digna não o tivesse feito antes. Salazar enfrentou e ultrapassou o pior período da guerra de África, com as Províncias sem número de tropas tão importante como se julgou necessário, enfrentando dificuldades na compra de armamento a utilizar lá e a infame administração Kennedy, a mais anti-portuguesa que alguma vez passou por Washington. E não vergou. O sistema abrileiro inventou a necessidade de vergar. Inevitabilidades? Só há uma e não é a que pensa o Tempo mandando nos Homens, em vez de pôr estes a mandar no Tempo, única situação em que merecem a maiúcula: é a de lutar para se poder ganhar. Salazar fê-lo com as forças que tinha e nunca estes irresponsáveis méteram pé em ramo verde, jamais passaram de uma evitabilidade. Caetano tratava-os com untos e falinhas mansas, o que acarretava uma consequência inevitável - a que se viu.

16 Comments:

  • At 2:43 PM, Anonymous Anonymous said…

    Um dos melhores textos que vi por aqui nos últimos meses meu caro amigo. Já é tempo desses oportunistas de Abril terem consciência que o seu tempo terminou e que apenas uma horda de esquerdófilos lhes dá ouvidos.
    Parabéns!

     
  • At 2:45 PM, Blogger JSM said…

    Esse Almeida que não tem nada a ver com os "Almeidas por quem o Tejo chora"!, veio comovido de Timor depois de uma visita destinada a sondar as possibilidades daquela ainda colónia, embarcar também nas "independências"! O tipo de argumento é sempre o mesmo, igual ao conformismo, a todas as inevitabilidades, que pode amanhã considerar ridículo o esforço de séculos para nos mantermos independentes de Castela! Ainda não chegou a altura, mas com este espírito demissionário, lá iremos.
    Quanto às responsabilidades da segunda república, Salazar pode ser acusado de tudo, menos de ter abandonado as colónias. Claro que em monarquia as coisas teriam seguido de outra maneira e com outra grandeza. Suspeito.
    Um abraço.

     
  • At 4:20 PM, Blogger EURO-ULTRAMARINO said…

    Bravíssimo, meu Caro Paulo! Três décadas passadas sobre a hecatombe esses indivíduos que entregaram terra portuguesa e gente portuguesa ao comunismo soviético - e tudo entre sorrisos e abraços - continuam a querer atirar as culpas de sua TRAIÇÃO justamente a QUEM foi e fez o exacto contrário dos abrileiros. Já fazem pena. Velhos e ricos, convencidos de que são sumidades, no fundo, lá no fundo, sentem que se a proxima a hora do juízo final. Têm medo. E quanto mais passa o tempo, mais medo têm. A verdade vem sempre ao de cima e os incomparáveis males que CONSCIENTEMENTE causaram a Portugal fazem com que, já a babar sobre as gravatas, insistam em fugir às responsabilidades, imputando a um HOMEM impoluto a ignomínia que eles própios executaram.
    Parabéns, meu Caro Amigo, por mais um belo e justo texto.
    Um forte abraço.

     
  • At 4:49 PM, Blogger a voz said…

    Bravo!
    Tudo dito.

    Cumprimentos.

     
  • At 7:04 PM, Blogger Paulo Cunha Porto said…

    Meu Caro Capitão-Mor:
    E se há coisa que me vai ainda irritando é o alijar de culpas, direccionand-as contra quem, toda a vida, lutou pelo cntrário com sucesso!

    Claro, Meu Caro JSM, que a Monarquia teria outra relação com as elites africanas tradicionais e que não comportaria uma ala colonialista pura e dura como o regime de coligação que foi o Estado Novo. Que americanos, soviéticos e nórdicos procurariam investir na mesma contra o Ultramar Português, não tenha dúvida que o fariam. Se a resistência teria êxito é que já seria construir hipóteses sobre hipóteses.

    Meu Caro Euro-Ultramarino:
    Esses que tão bem descreve querem tudo. Tiveram o poder de destruir, mas poder, ainda assim. Juntaram-lhe as recompensas menores da vaidade. Mas não lhes chega: querem o aplauso cego e lançar o opróbrio sobre Quem lutou e não desistiu. Temos todos a obrigação de quebrar o silêncio que pudesse ser tido por assentimento unânime.

    Meu Caro Mário Martins:
    Não consegui calar alguma indignação, apesar de dali já nada esperar de bom.
    Abraços a Todos e muito obrigado pelos Vossos encorajamentos.

     
  • At 9:34 PM, Blogger O Corcunda said…

    Este é, em poucas linhas, uma das melhores exposições dos inevitabilismos oportunistas que já li.

    Muitos parabéns

     
  • At 9:43 PM, Blogger Paulo Cunha Porto said…

    Oprigadíssimo, Meu Caro Corcunda. Mas o mérito é, "malgré lui", todinho do repelente teor das afirmações do Dr. Almeida Santos.
    Grande abraço.

     
  • At 10:10 PM, Anonymous Bic Laranja said…

    Os subterfúgios do género dos gordos que não são gordos, são obesos que pode ser que lhe aliviem a consciência. Mas quando esta emininência parda do regime aparece a desculpar-se (rejeitar as culpas é o quê?) em dois volumes, é porque a culpa lhe corrói o intimo.
    Cumpts.

     
  • At 10:18 PM, Anonymous Bic Laranja said…

    Tire-me aquele que a seguir a obesos. Obrigado!
    O dr. Almeida Santos, a suceder-lhe a inevitabilidade histórica com que joga, há-de ficar para a História no fundo buraco donde nunca devia ter saído.
    Desculpe-me o tom!
    Cumpts.

     
  • At 10:23 PM, Blogger Paulo Cunha Porto said…

    Meu Caro Bic Laranja;
    Desculpar-Lhe o tom? Apreciá-Lo e muito, isso sim. E é bem verdade que tanta insistência na negação das culpas parece bem ditada pelo fito de alterar a História, de modo a tentar aparecer um pouco menos mal nela.
    Abraço.

     
  • At 11:50 PM, Blogger Vitório Rosário Cardoso said…

    Mais uma para memória futura:
    http://passaleao.blogspot.com/2006/11/miguel-vasconcelos-e-memrias.html

    Saudações

     
  • At 8:23 AM, Blogger Paulo Cunha Porto said…

    Obrigadíssimo, Caro Vitório.
    Abraço.

     
  • At 6:23 PM, Anonymous Miguel said…

    "Salazar enfrentou e ultrapassou o pior período da guerra de África (...)E não vergou."


    Qousque tandem, Paulo?
    Qousque tandem?

     
  • At 12:26 PM, Blogger Paulo Cunha Porto said…

    Meu Caro Miguel:
    Até ao fim da vida política dele, passando o período mais penoso. Depois, claro foi a passagem do testemunho a quem não soube aguentar a vantagem e até o deixou cair...
    Abraço.

     
  • At 3:24 PM, Anonymous Miguel said…

    Bom, como "não estive lá", não vou dizer se havia "vantagem no terreno" ou não...abraço

     
  • At 12:22 AM, Anonymous Anonymous said…

    Vamos lá, que esta é longa:
    O grande mérito do Prof. Salazar foi o de ter sabido esperar, comerciando com ambas as partes do conflito (WW2), até perceber que a invasão da Rússia seria o princípio do fim do III Reich (apesar das tropas de vanguarda alemãs terem chegado a 10 km do centro de Moscovo).
    Só então mostrou disponibilidade para negociar a bases dos Açores (os diplomatas ingleses e americanos andavam doentes com o que ele andou a empatar).
    A base dos Açores era essencial para os "aliados" porque:
    1. era um "porta-aviões" que nunca iria ao fundo;
    2. a base, a meio do Atlântico Norte, serviria (e serviu) para destruir a flotilha de submarinos alemães;
    3. dado o curto raio de acção dos aviões da época, os submarinos alemães vinham calmamente à superfície, nos luscos-fuscos, para por os "diesel" a carregar as baterias e a renovar o ar; partindo do Reino Unido (dos EUA era impossível) os caça-bombardeiros não poderiam vigiar sequer um terço do Atlântico Norte;
    4. era fundamental impedir a acção, dos submarinos alemães, responsáveis pelo afundamento de cerca de 50% da tonelagem que cruzava o Atlântico, vinda dos EUA, para suprir o Reino Unido.
    Mas o importante é que o "negócio" foi pago pela intocabilidade das nossas colónias!
    Todos os países descolonizaram (mesmo os "aliados" - vejam os mapas, de antes e de depois; leiam a História) mas Portugal não. A descolonização só interessava aos EUA (abertura comercial, que foi imposta a Churchill por Roosevelt, na reunião de Terra Nova, em troca do auxílio dos EUA) e à URSS (abertura política), e vimos esses resultados. O Reino Unido "lá deu a volta", com algum sucesso, com a criação da Commonwealth.
    Só pela traição é que se desmantelou uma sociedade pluri-étnica, após uma guerra de guerrilha que, ao invés da da Indochina, já estava ganha por nós no início dos anos 70. A UNITA, anticomunista, era o nosso aliado contra os outros grupos, comunistas. A traição, no Portugal Continental, tramou a vida de milhares de Portugueses da Europa e de África.
    As QUARTAS reservas mundiais de ouro (as do nosso país), que davam para encher uma fila de vagons de carga da CP desde a estação de Cascais até à estação da Parede, foram voando do Banco de Portugal para contas privadas na Suiça (daí a historieta do ouro nazi).
    Lembram-se de 1975, quando uma força militar cercou a Baixa para se retirar o ouro do Banco de Portugal «para que os fascistas não o roubassem»? Coitados... estes já tinham fugido do país, sobretudo em Agosto/Setembro de 1974 quando otelo s. de carvalho anunciou uma mortandade de "fascistas". Como há sempre Humor nas Crises, apareceu um grafitti no estilo de "Fascistas pró Campo Pequeno! Não pode ser... não cabemos".
    otelo, o Tolo, que vendia terrenos no Algarve, via Soterra umas das empresas de maior sucesso no ramo (dava 10% de comissão aos vendedores!).
    Cumprimentos

     

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