O «SOL» e a Peneira
Ainda o «Sol» vai demasiado alto para poder ser fitado de frente. Mas pode-se olhar para a entrevista de quem vai acender a luz. O Arquitecto Saraiva poderia ter dito do «EXPRESSO» que a parte cultural, em tempos obrigatória regrediu aos limites da indigência, ainda no seu consulado, mas não o fez; que a Página Internacional, dantes notável conciliadora de uma periodicidade ingrata com dados difíceis de encontrar noutro lado, acabou. Mas não, censurou unicamente o balsemónico orgão por também ter caído em fazer ofertas. A urbanidade e respeito deontológico de um ex-director não explicam tudo.
A razão é simples: o semanário outrora sediado na Duque de Palmela continua a ser o seu modelo. Mas há obstáculos: aquele fez o seu nome com muitos amigos e fontes próximos de todo potencial de poder que viria a desaguar no Bloco Central, firmado em cumplicidades geracionais que vêm do Marcellismo, um pouco mais para lá, ou um pouco mais para cá, porém à mesma mesa. O auto-nomeado Astro-Rei assenta no prestígio de um Marcelo com projecto pessoal e numa linha editorial próxima do que foi o primeiro «SEMANÁRIO», como MRS deixou escapar nas «Escolhas» televisionadas de Domingo. Não creio que a gabarolice de ultrapassar o rival em seis meses seja possível, já que onde um faz das suas fraquezas as respectivas forças, dando-se modestamente ao País como "uma Instituição mais", o novel periódico vive do prestígio dos colunistas que apresenta e da inovação modesta, embora indiscutivelmente necessária, de... uma página de etiqueta. Se a coisa der para o torto os vultos que ora são o seu maior trunfo podem vir a ser conhecidos por um título de Urbano Tavares Rodrigues, «OS BASTARDOS DO SOL», tal como um governo da I República presidido por Vítor Hugo de Azevedo Coutinho ficou sendo Os Miseráveis de Vítor Hugo.
A energia solar ainda parece longe de constituir alternativa. Apesar das carências nacionais no campo.
5 Comments:
At 6:26 PM, Jansenista said…
Pobre Arq. Saraiva! Nem o Supremo Arquitecto lhe valerá...
At 7:31 PM, Paulo Cunha Porto said…
Pois, o "Demiurgo" fez asneira como de Costume. Não são os pedreiros que farão melhor, por muitos esquadros e compassos que brandam. Aventais não há que chegue, são só mil, disse-me no outro dia o SA. As tiragens necessárias estão nas muitas dezenas de milhar.
Abraço.
At 11:49 PM, Anonymous said…
Entretanto, há a novidade e a primeira impressão conta muito. Vamos ver como o "ensacado" se sairá deste duelo.
At 2:10 AM, Anonymous said…
O «Sol» nasce como fachada de um projecto político para levar o Prof. Marcelo a Presidente da República. Mas penso que não irá durar muito, o periódico. Quanto à pretensão do Prof. Marcelo, essa continuará a durar.
At 8:34 AM, Paulo Cunha Porto said…
Não tenho dúvida, Caro Anónimo, de que os primeiros números irão ser promissores. Tenho algumas sobre a aspiração a ultrapassar o rival em seis meses. E, se acontecer, duvido que seja para durar.
Meu Caro Eurico:
É mesmo isso, mesmo que o Arquitecto julgue que conseguirá dar a volta. Quanto a Marcelo, ele tinha de se manter vivo de alguma maneira, no espírito das gentes, durante os dez anos cavacais.
Abraços a Ambos.
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