A Guerra Podre
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A 28 de Julho de 1914 a Europa estava farta de paz. Não se lembrava de guerra generalizada, pois praticamente não restavam sobreviventes com memória da última que se conhecera, durante o governo de Napoleão I. Não admira pois que, na sequência de sucessivos ultimatos à Sérvia para que a polícia austríaca pudesse actuar contra os culpados do assassínio de Sarajevo do Herdeiro das Coroas Imperial e Real, o Império Austro-Húngaro declarasse a guerra nessa precisa data, sendo a notícia recebida nas populações da França e da Alemanha, que pelos jornais adivinhavam a participação dos seus países, com alegria muito maior do que a que consta do desenho alusivo de Max Beckman, aqui reproduzido. Na Áustria não foi tanto assim, que as pessoas prezavam mais a alegria de viver vienense e estavam escaldadas de derrotas sucessivas e debilitantes.
Ir-se-ia a breve trecho cair na pior das desilusões, a da guerra arrastada nas trincheiras e dos morticínios em massa, com a entrada em cena do gás e a queda de milhares para conquistar meia dúzia de metros de terreno. Só um pouco mais para a frente a aviação prometeu, pelos duelos individuais que proporcionou, dar um novo fôlego à glória guerreira, afogada na lama e no sague da mortífera imobilidade dos combates terrestres.
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Era um preliminar da generalizada ameaça do armamento nuclear, pelo que não posso considerar esta data senão como um dia maldito. O fogo desta «Operação Gomorrah» era tudo menos divino.
1 Comments:
At 6:55 PM,
Paulo Cunha Porto said…
Meu Caro Espadachim:
Valha-me Santo Eustáquio, que não me lembrei dessa. Mas se o nome fosse o da outra cidade alvo da Ira Divina, talvez o risco fosse maior.
Meu Caro Jordão:
Lamento todas as formas industrializadas que a Guerra tomou. Além dos bombardeamentos alemães de que fala poderia referir Roterdão, por exemplo. E Dresden, com o abuso do fósforo foi horrível.
Sobre Hiroxima já falei, com um "post" específico, no dia da triste comemoração que lhe respeita.
É a suprema decadência, quando um acto guerreiro veda ao observador o reconhecimento de uma qualquer parcela de heroísmo. Deixa de merecer o nome de combate para apenas justificar o de matadouro.
Abraços a Ambos.
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