O Misantropo Enjaulado

O optimismo é uma preguiça do espírito. E. Herriot

Saturday, June 10, 2006

Data de Doutrinação

A dez de Junho de 1926, Fidelino de Figueiredo mandava para o prelo «O PENSAMENTO POLÍTICO DO EXÉRCITO», em que, depois de fazer uma breve síntese das criações, cisões e recomposições partidárias da I República, exortava a Força Armada a não se remeter ao papel de sustentáculo dos partidos republicanos adversários dos Democráticos herdeiros de Afonso Costa. Embora elogiando António Sardinha, demarca-se dele, por crer positiva a obra da Regeneração, o que era incompatível com o juízo que os Integralistas faziam do Constitucionalismo Monárquico, também ele obra de partidos, apesar de alternantes e menos sangrentos. Quanto a mim, duas outras motivações estavam também por trás da sua discordância com o ideal do Pelicano: as convicções de que a governação do País teria de ser centralista e de que o Movimento Integralista era tradução ipsis verbis do Maurasismo.
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Fidelino voltava os olhos para o Passado, com Sidónio e para o Estrangeiro, com Primo de Rivera, Von Seeckt, Kemal, Pangalos e o primeiro Mussolini.
Dois trechos:
«Constituído o parlamento com os presumidos eleitores, através da falsificação dos cadernos, da atmosphera de terror e de ameaça que desviam os medrosos e os dependentes do executivo, das chamadas falsas, das contagens burladas, das actas mentirosas, das recontagens novamente viciadas e da verificação de poderes, que é o entendimento partidário de novas burlas - ao funccionar, ou os governos guerreiam systematicamente com os parlamentos, ou criam uma ligação servil, segundo a maioria é imperativa ou obediente.».
e
«Na sua base moral, o nacionalismo é uma intensificação, que não desconhece o exaggero, do egoismo e do orgulho nacional; intellectualmente, caracterisa-se tambem pelo seu pendor para a realidade viva, para o franco reconhecimento das necessidades hodiernas, das exigências da salvação publica por methodos positivos, efficazes, fóra das formulas políticas, daquella estéril liturgia parlamentar, que a Inglaterra para si criou e a França estendeu ao mundo. A opinião publica, que o nacionalismo considera, ouve e attende, não é a que se expressa pelos orgãos constitucionalmente legítimos, o parlamento, os partidos, os conselhos de estado, a grande imprensa, quantas vezes em conflito com a collectividade; a opinião publica é outra vez a «vox populi», não a turba desgrenhada, hiante dos possessos dos immortaes principios, mas o sentimento geral, ordeiro, sempre crescente, que se personifica nos melhores e ás vezes se delega em alguns ou num só, como modernamente na Allemanha e na Itália. Delega, sim, porque o nacionalismo caracterisa-se tambem por um regresso do culto heroico, do que ha de individualmente distintivo na personalidade superior. O aspecto multitudinario do nacionalismo, que o poderia aproximar da demagogia, tem assim opposto signal: o nacionalismo é a sancção ou a investidura dos melhores, que a si elevam a alma da multidão; a demagogia é a transfusão das almas individuaes na ethica e na sensibilidade rudimentares e irreflectidas da turba.».

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5 Comments:

  • At 8:56 PM, Anonymous Anonymous said…

    Dictadura del General Primo de Rivera, época de orden y tranquilidad publicas, construcción de carreteras e infraestructuras. Buenas relaciones con Portugal.

     
  • At 9:05 PM, Blogger Paulo Cunha Porto said…

    E, Caro Amigo, com o grande Calvo Sotelo nas finanças, se me não engano?

     
  • At 9:17 PM, Anonymous Anonymous said…

    En efecto, querido amigo. Y con el gran Martínez Anido en Gobernación, el "azote" de los pistoleros anarquistas de Barcelona....

     
  • At 3:40 PM, Anonymous Anonymous said…

    Marx (Groucho) disse que falar de "Military Intelligence" encerra uma contradição nos próprios termos.
    Que diria do título deste livro?
    Não tomo aqui partido, apenas lanço a acha para que o meu Erudito Amigo se disponha a dissertar mais sobre o tema e suas ramificações.
    O Internauta Descerebrado.

     
  • At 7:24 PM, Blogger Paulo Cunha Porto said…

    Meu Caro Internauta Descerebrado:
    o «erudito amigo» não serei eu, certamente. Mas talvez houvesse algum interesse em salientar que, nessa época de resgate, a intelectualidade via a salvação da Pátria na possibilidade de o Exército ter um pensamento político. Hoje pouco menos do que a perdição atribui a essa eventualidade.
    É a diferença entre uma crise reversível e outra que está para durar.
    Abraço.

     

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